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Estudo revela os principais motivos que levam crianças e adolescentes a caírem na violência sexual. Evasão escolar e baixa renda são as maiores preocupações

Mais que conhecer o tamanho do problema da exploração sexual no Brasil, descobrir o que empurra meninos e meninas rumo a esse tipo de violência é fator decisivo para combatê-la. Um estudo divulgado ontem, em São Paulo, pelo Centro de Excelência em Turismo (CET) da Universidade de Brasília (UnB) elencou os principais fatores que aumentam a vulnerabilidade de crianças e adolescentes. Evasão escolar, renda per capita baixa, condições inadequadas de habitação e transferências governamentais (como o Bolsa Família) são as variáveis de maior importância verificadas. Os pesquisadores cruzaram quatro bases de dados oficiais — entre elas informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — de 2.682 municípios para chegar aos resultados.

Extremamente técnico, o modelo estatístico utilizado pelos estudiosos não abrange análises sobre número absolutos. Traça as relações de forma percentual. Por exemplo, no caso da frequência escolar, constatou-se que 1% de aumento na evasão numa cidade provocaria uma elevação média de 0,04% na exploração sexual. Coordenador do CET-UnB, Neio Campos esclarece que os impactos verificados são significativos. “Uma indução de 0,04% resultado do aumento de 1% no abandono da escola é algo muito importante, mesmo porque, quando se trata desse assunto tão grave, qualquer repercussão tem de ser levada em consideração”, explica Campos. A central de denúncias do governo federal recebeu quase mil chamados por mês relacionados à violência sexual de janeiro a abril deste ano.

Para Estela Scandola, coordenadora do Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, formado por entidades de pesquisa, organismos internacionais, membros do governo e representantes das regiões brasileiras, o problema da exploração de meninos e meninas tem muito a ver com o incentivo ao consumo. “Vivemos em um modelo de sociedade que impele o jovem a ter bens, mas o jovem empobrecido não consegue. Note que o fato de ser pobre não o induz à exploração sexual, mas sim o fato de desejar consumir determinado bem”, destaca Estela. De acordo com ela, a dependência química é outro fator relacionado ao problema, assim como a oferta pequena de serviços públicos direcionados à população em situação de exploração.


Fontes: CET/UnB; 28/05/2010


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