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Setores público e privado discutem, em seminários, metas e propostas efetivas a fim de preparar o país para eventos de grande porte como a Copa e as Olimpíadas

Aline Bravim

Carlos Silva, Evaristo de Oliveira e Jeanine Pires: segmento turístico debate modelos de crescimentoO Brasil se prepara para realizar os dois maiores eventos esportivos do planeta: a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Por isso, a ansiedade: haverá verbas e tempo hábil para os projetos de infraestrutura necessários à realização de ambos? O secretário Nacional de Políticas Públicas de Turismo do Ministério do Turismo (MTur), Carlos Silva, disse que não há motivo para preocupação. Segundo ele, o governo está fazendo tudo que é necessário, e no tempo certo, para sediá-los. “Não temos com o que nos preocupar. Claro que devemos nos atentar aos prazos, mas, por enquanto, está tudo muito bem planejado”, diz ele.

Silva, que abriu o seminário Embarque no turismo — o papel do turismo no desenvolvimento do país, promovido pela Fundação Assis Chateaubriand (FAC), ontem, no complexo Brasil 21, informou que antes mesmo da definição dos prazos o governo já havia começado obras de recuperação em monumentos e melhoria de equipamentos nos setores requisitados. “É o caso, por exemplo, da revitalização da zona portuária no Rio de Janeiro, que está em andamento desde junho de 2009”, ressaltou.

O secretário foi um dos participantes do primeiro painel, o Copa 2014, Jogos Olímpicos de 2016 e o desenvolvimento do turismo no Brasil, e garantiu que a prioridade do governo é investir na infraestrutura do país. Para isso, serão disponibilizados R$ 2,7 bilhões este ano, em um total de R$ 4,2 bilhões do orçamento do Ministério do Turismo para 2010. “Nós precisamos nos organizar para desfrutar os benefícios da Copa e das Olimpíadas antes, durante e depois dos eventos. Além disso, vamos investir em promoção do turismo, qualificação dos serviços e modernização no setor da hotelaria. A meta é qualificarmos 306 mil trabalhadores brasileiros do ramo turístico até a Copa”, explicou.

De acordo com Silva, já existem projetos para melhorar o acesso a lugares turísticos, a sinalização e a variedade de línguas faladas pelos funcionários desses locais. Os aeroportos das cidades-sede receberão R$ 6,4 bilhões em investimentos. Os portos ganharão R$ 740 milhões para melhorar as condições de funcionamento.

A soma de verbas para melhoria de estádios, mobilidade urbana, telecomunicações e energia chega a R$ 33 bilhões. As previsões são de que a Copa some R$ 183 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2019. São esperados cerca de 600 mil turistas estrangeiros no Brasil em 2014.

Rede hoteleira

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-DF), Tomaz Ikeda, mencionou a comunicação brasileira em geral como a maior preocupação do setor hoteleiro. “Como podemos vender um destino falando apenas português?”, questionou. Em relação a outros pontos, Ikeda acredita que os empresários e trabalhadores têm feito sua parte, tendo em vista que há apenas 1,3% de reclamações sobre os hotéis do país.

A pesquisadora do Centro de Excelência em Turismo (CET) da Universidade de Brasília (UnB) Iara Brasileiro destacou a importância da universidade para ajudar o Brasil a desempenhar um bom papel durante a recepção desses eventos. Para ela, a formação de profissionais e a produção de conhecimentos é a maior contribuição que o centro acadêmico pode dar. “Com pesquisas, projetos, ensino, podemos construir a base para vender a nossa cultura e é nisso que consiste o turismo”, assegurou.

O segundo painel — Turismo e a promoção da imagem do Brasil no exterior — contou com a presença da presidente da Embratur, Jeanine Pires; do secretário-executivo do MTur, Mário Moysés; e, mais uma vez, da professora Iara Brasileiro, do CET/UnB.

Segundo Pires, a Embratur tem desenvolvido pesquisas e estratégias para promover a imagem do país e garanti-lo como destino turístico global além de 2014 e 2016. “Nós precisamos aprender com a experiência de outros países, inovar construindo nossa própria experiência, planejar e monitorar, atualizar nossa imagem com mudanças nas percepções e proporcionar uma atuação sensacional”, enumera. A presidente afirmou que a meta do governo é aumentar em 304% a entrada de divisas geradas por turistas estrangeiros, que atualmente atinge US$ 5,8 bilhões. Outra proposta é garantir o crescimento de 113% no número de visitantes ao Brasil nos próximos dez anos, o que representa 500 mil turistas a mais circulando nas regiões brasileiras.

Ao final, o secretário Mário Moysés destacou que a Copa terá, sobretudo, uma formação de imagem do nosso país para os próprios brasileiros. “Nós temos que perceber como nós somos. É importante termos uma visão positiva de nós mesmos para passarmos isso adiante.”

No começo do seminário, o vice-presidente executivo do Correio Braziliense e da FAC, Evaristo de Oliveira, ressaltou que a intenção é mostrar ao mundo que o Brasil está preparado para receber esses eventos. “O nosso país tem turismo para todos os gostos. Além disso, esforços reunidos significam muito mais chance de sucesso”, comemorou.

Nós precisamos nos organizar para desfrutar os benefícios da Copa e das Olimpíadas antes, durante e depois dos eventos”

Carlos Silva, secretário de Políticas Públicas de Turismo do MTur


Fonte: Correio Braziliense; 10/06/2010


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