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Educação como instrumento de transformação para um mundo melhor

Música, poesia, política, arte, debate de idéias serviram de componentes na abertura dos eventos III Encontro Nacional de Pesquisa em Educação do Campo, III Seminário sobre Educação Superior e as Políticas para o Desenvolvimento do Campo Brasileiro, para afirmar a integração dos povos latino-americanos que lutam por uma educação de fato integradora do homem em seu contexto social, amparada em princípios e valores éticos.

A coordenadora geral do projeto Observatório do Campo, Mônica Molina, acredita que os eventos trarão contribuições relevantes para se compreender a problemática da educação do campo. Segundo ela, é certo que tem aumentado o número de pesquisas acadêmicas que buscam ampliar a compreensão dessa nova prática educacional, mas também a ofensiva dos grupos hegemônicos da sociedade brasileira tem sido intensa para coibir esse movimento.

Ainda segundo ela, é desse debate que se espera respostas para questões pertinentes como: Para onde aponta o projeto histórico da educação do campo? Para tanto, é preciso continuar lutando e demarcar cada vez mais o território teórico em que essa educação está se pautando.

 Uma das preocupações apontadas por Molina é compreender as diferenças entre os projetos em disputa. De um lado, a educação como processo de transformação social e de outro, a educação tradicional, fragmentada. No campo, novas práticas estão sendo desenvolvidas em contraponto à lógica da produção de alimentos como negócio, uma lógica que minimiza o desenvolvimento da agricultura camponesa e familiar.

As conseqüências do avanço do capitalismo financeiro e das empresas transnacionais sobre a agricultura e do sistema alimentar foram lembradas por Molina, que apontou para a necessidade de combate a essa dinâmica dos setores hegemônicos e para a inevitabilidade de um projeto de educação do campo que restitua o vínculo com o trabalho e a produção da vida material no campo.

Para esse projeto ir adiante, Mônica Molina indica que o compromisso na formação de educadores do campo deve estar vinculado a valores fundamentais, como a justiça social e a igualdade. Atualmente, 20 universidades brasileiras adotaram cursos voltados para essa nova prática educacional.

Reflexão e ação – O protagonismo dos movimentos sociais é que caracteriza a correlação de forças para impulsionar a educação do campo. Como os dominadores dominam o campo da educação, vista por eles como capital humano, o contraponto é “fazer um novo ponto de partida”, como sugerido por Florestan Fernandes. A provocação do conferencista professor Roberto Leher, da Faculdade de Educação da UFRJ, veio já no início de sua fala, quando em uma aula magistral diante de uma platéia atenta, revisitou paradigmas teóricos para despertar em seus ouvintes a necessidade de um pensamento crítico para fazer andar o projeto de uma educação para o campo comprometida com a liberdade e autonomia universitárias.

Para o professor Leher, a qualidade da educação que querem setores hegemônicos da sociedade brasileira está condicionada à lógica da expropriação do conhecimento. Trata-se de uma educação fragmentada. “O projeto dos trabalhadores é por uma educação unitária”, disse.

Segundo ele, assim como a educação é parte estratégica do projeto da elite, também tem que ser estratégica para os trabalhadores. Deve ser um campo de luta para os trabalhadores, juntando-se aos movimentos sociais. Para ele, não se deve, porém, deixar de questionar quando esses mesmos movimentos, e o pensamento de esquerda, secundarizarem a problemática da educação. “Sem deixar de observar que também a educação do campo está inserida numa problemática ainda maior, que é a atual universidade pública brasileira”, criticou ele.

Leher ainda instigou a platéia a pensar sobre o conceito do que é público, e lembrou Marx, ao declarar que “a escola é pública, mas a escola não pode ter como educador o Estado, o Estado é que tem que ser rudemente educado pelo povo”. Segundo disse, o Estado é particularista e a luta pelo público passa pela luta pela desmercantilização da educação, sem perder de vista a universalização da educação, “pois nela tem que caber todos os povos”.


Fonte: CET/UnB; 04/08/2010


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