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O papel social da Universidade segundo educadores latino-americanos

 

Brasília, 04.08.2010 - A Faculdade UnB Planaltina (FUP) foi palco dos primeiros debates sobre Educação do Campo, que compõe o III Encontro Nacional de Pesquisa do Campo, o III Seminário sobre Educação Superior e as Políticas para o Desenvolvimento do Campo Brasileiro e o I Encontro Internacional de Educação do Campo.
Promovida pelo Centro Transdisciplinar de Educação do Campo e Desenvolvimento Rural (Cetec), a primeira rodada de debates proporcionou aos estudantes daquele campus avançado um rico entendimento do que representa uma educação comprometida com valores sociais, morais e políticos.

A estrutura e organização de instituições de ensino superior de países como Cuba, Venezuela e Bolívia foram expostas e debatidas revelando como inserir o homem no seu contexto social, trazendo como princípio básico a produção do conhecimento baseada na solidariedade, na justiça e no direito à dignidade. Um desses exemplos foi trazido pelo professor Denir Sosa, um brasileiro que foi para a Venezuela fazer parte de um projeto revolucionário de Educação. Em um pequeno município de 15 mil habitantes, no Estado de Barinas, está instalado o Instituto Latinoamericano de Agroecologia Paulo Freire, onde Sosa dá aula para alunos de oito países, como o Brasil, México, Nicarágua, Colômbia, Equador, Paraguai e Venezuela.

O Instituto é fruto de um convênio entre o governo da Venezuela e a Via Campesina. Os alunos são selecionados dentro dos movimentos sociais com o intuito de replicar os ensinamentos ali aprendidos. Os futuros engenheiros agroecológicos voltam aos seus países, depois de formados, com o compromisso de divulgar as técnicas ecológicas, em prol de uma luta por um planeta saudável, livre de produtos químicos.

NA AMÉRICA LATINA - A professora Maria Egilda Castellano, do Ministério da Educação da Venezuela e primeira reitora da Universidade Bolivariana, disse que priorizar o social cria consciência política. Por isso, seu país apostou na educação, transformando a cultura e a vida na Venezuela com a instituição da uma nova Constituição que obriga o Estado a criar condições a que todos tenham acesso a educação de qualidade e uma formação profissional integrada a valores e responsabilidade social, política, ética e moral.
A educação foi considerada por palestrantes e debatedores como estratégica e fundamental para qualquer nação que acredita que a formação educacional vai além da formação de profissionais para o mercado de trabalho. Cuba e Bolívia também se destacam com esse propósito.

Jaime Zambrana, índio ketchua, doutor em Ciência da Educação na Bélgica, criador e reitor da Universidade Indígena da Bolívia, impactou a platéia com sua visão crítica da concepção da academia tradicional, que não atende às necessidades da sociedade e do Estado e pouco incentiva à produção de conhecimento. Contou que, com o apoio do governo Evo Morales, foram criadas três universidades Aymara, Guarany, Ketchua e povos da Amazônia, representantes dos 36 povos indígenas do país, que postulam uma epistemologia de valorização da diversidade, “baseada na criação e não na destruição da vida”.

A última palestrante foi Berta Pichs, ex-vice-reitora da Universidade de Havana, que há sete anos trabalha no Ministério da Educação Superior de Cuba com a criação de sedes universitárias municipais. A educadora explicou o processo de construção da educação na Ilha, da campanha de erradicação do analfabetismo, iniciada em 1961 com a vitória da Revolução, até a criação da universidade nos municípios. Explicou que os princípios que a Universidade cubana atende são de qualidade e de pertinência com uma relação humana integral – ética, cultural, social, política, profissional. Ao final, foi projetado o documentário A Nova Universidade Cubana, dirigido por Berta Pichs.

HOJE, dia 4, os debates do Congresso sobre Educação no Campo se concentram no campus da UnB no Plano Piloto. Os palestrantes convidados de sete universidades públicas nacionais e dos países latino-americanos estão reunidos no módulo central do Centro de Excelência em Turismo (CET/UnB), o dia todo. A conferência inaugural, às 11h, é tarefa do professor Roberto Leher, da UFRJ. De tarde ocorrerão as sessões em grupos de trabalho (Círculos de Produção de Conhecimento), e a noite é dedicada à “Roda de Conversa” Educação Superior e Autonomia dos Povos do Campo, com os mesmos palestrantes latino-americanos do dia anterior e mais um, do México.

A programação completa você acessa em www.encontroobservatorio.unb.br, onde o evento pode ser assistido ao vivo.


Fonte: CET/UnB; 04/08/2010


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