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Professores, parlamentres e juristas reagem à matéria da revista Veja sobre a UnB

As universidades foram criadas no século XII como espaços de tolerância. Não há como garantir a produção de conhecimento sem a livre circulação de idéias. Não se questionam dogmas – sejam eles de qualquer natureza, sem que esteja garantida a abertura para isso. Não se derrubam certezas científicas quando não há oportunidade para duvidar delas.

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Na Universidade de Brasília não é diferente. As disputas políticas e intelectuais existem e são bem-vindas. O debate alimenta a universidade, faz com que ela avance diante de falsos consensos. Se existe algum credo aqui é aquele ensinado pelo iluminista francês Voltaire: "Posso não concordar com as palavras que você disser, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las".

 

A última edição da revista Veja traz uma matéria em que imputa à Universidade de Brasília o aposto de madraçal esquerdista. A reação  ao texto e a defesa da universidade veio de personalidades respeitadas das mais diferentes áreas. Leia abaixo as manifestações:


Gilmar Mendes, ministro do STF e professor da Faculdade de Direito da UnB:
Não percebo nada de anormal. Eu acompanho a diretoria da Faculdade de Direito e vejo que eles tentam conduzir o processo com abertura. Nunca senti nenhuma restrição ao meu trabalho na UnB. Posso dar meu testemunho de que o reitor José Geraldo é uma pessoa bastante tolerante, que realmente respeita outras posições. Eu tenho posições ideológicas claramente opostas à dele e nunca tivemos qualquer problema de convivência. Nos colegiados, se ganha e se perde.


Cristovam Buarque, senador da República e ex-reitor da UnB:
O reitor José Geraldo de Sousa Junior está, sem dúvida, entre as pessoas mais tolerantes e democráticas que conheço. E ainda que fosse autoritário e preconceituoso, como a reportagem da revista Veja tenta demonstrar, não conseguiria se utilizar desses métodos na UnB nem em qualquer outra universidade. A massa crítica que forma as universidades brasileiras não toleraria. No ambiente universitário, as decisões se dão em colegiados e conselhos. O Conselho Universitário, instância máxima da universidade, se reúne praticamente uma vez por semana. Ainda que qualquer reitor quisesse agir como um tirano, isso não seria possível.


Rodrigo Rollemberg, senador, coordenador da bancada do PSB-DF no Congresso:
Estou fora da vida acadêmica, mas conheço o reitor José Geraldo há muitos anos e sei de sua formação democrática e libertária. Portanto não creio em nenhum tipo de perseguição ideológica. Tenho confiança no espírito democrático do reitor. Ele jamais permitiria qualquer tipo de intolerância na UnB. A comunidade acadêmica deve estar unida em torno da consolidação da UnB no debate de temas de interesse nacional e da cidade, independente do pensamento ideológico que cada um tenha, de acordo com suas convicções ideológicas.


Barbara Freitag-Rouanet, professora Emérita da UnB:
Quem afirmar, em 2011, que a universidade criada por Darcy Ribeiro, há cinquenta anos atrás, agora está sendo "palco das piores cenas de intolerância" , tendo sido "tomada por um patrulhamento ideológico tácito", só pode ser muito desinformado ou muito jovem , ou quem sabe: ambas as coisas.
(...)


Sabendo, por experiência própria, o que é patrulhamento ideológico autoritário, intolerância política, xenofobia, machismo e opressão, venho com esta carta aberta REPUDIAR ENFATICAMENTE a matéria tendenciosa, superficial, injusta e pouco comprovada, veiculada pela VEJA, procurando desqualificar a UnB como um centro de qualificação e excelência das novas gerações brasileiras e denegrir a imagem do seu Reitor, José Geraldo de Sousa Junior, equiparando a instituição e seu representante máximo aos tempos negros da ditadura militar no Brasil. (Veja aqui íntegra da carta)


Diana Pinho, diretora da Faculdade UnB Ceilândia:
A matéria de Veja não é um ataque ao reitor. É um ataque a todos nós, professores. É um ataque aos alunos que ocupam diariamente nossas salas de aula. É um ataque aos nossos pesquisadores que diariamente produzem conhecimento. A matéria é irresponsável, não tem consistência, não traz dados, descreve como tirano um reitor que tem em seu currículo o respeito à diversidade e o amor à democracia, e se sustenta sobre completa desinformação sobre o funcionamento da instituição. Um reitor não define chefias de curso, quem limpa laboratórios ou compra insumos para pesquisa. Isso cabe às unidades acadêmicas, com sua autonomia, colegiados e gestão própria. O reitor não tem interferência direta nas unidades acadêmicas, que são autônomas. A universidade transcende ideologias e é com essa forma de ação que procuramos produzir conhecimento. Sou dirigente de uma unidade com inúmeros problemas, inclusive tratados periodicamente pela imprensa, mas a solução destes problemas depende de nós próprios. É muito fácil se indignar, mas ao nos indignarmos temos de compreender que é necessário viabilizar e construir alternativas.


Noraí Rocco, diretor do Instituto de Ciências Exatas, ex-decano de Pesquisa e Pós-Graduação:
Eu não vejo repressão, nenhuma restrição ao debate, muito pelo contrário. Temos tido a oportunidade de nos manifestar. Nos conselhos, os professores têm toda a liberdade de expressão. Universidade é isso, um debate de ideias. Até no Conselho Editorial da revista DARCY existem divergências de opiniões, mas em prol de um bem comum, em nome de um processo formador mais amplo. Isso eu percebo em todos os conselhos dos quais participo, inclusive no Consuni. Não se concorda com todas as propostas, mas se diverge com argumentos apropriados. Algumas pessoas frustradas recorrem a meios externos para resolver questões típicas do processo interno da universidade. Os editais passam por um crivo institucional, com comissões qualificadas para julgá-los. A implantação do sistema de cotas raciais foi decidida democraticamente, inclusive como uma fórmula experimental. A universidade tem autonomia para fortalecer a política de expansão a atendimento a minorias.


Isaac Roitman, ex-decano de Pesquisa e Pós-Gradução, ex-diretor da SBPC, professor aposentado do Instituto de Biologia e subsecretário da Criança e do Adolescente do GDF: A meritocracia de pesquisa quem estabelece são as agências de fomento, o CNPq e a Finep. Os critérios de ranking, de fomento usam formação e produção acadêmica. A UnB não tem nada de diferente das outras universidades. Tenho críticas a esses critérios, mas a meritocracia existe. Quanto à perseguição política, isso é altamente equivocado. A reitoria usa o sistema de colegiados, câmaras e conselhos que tratam de assuntos maiores. Eu não vejo a estrutura da universidade como algo que favoreça a perseguição. Pelo contrário, se divide o poder de decisão. A reitoria não se intromete em questões que são próprias dos colegiados internos, como alocação de aulas e espaço de professores.


Aldo Paviani, geógrafo e professor emérito da UnB:
Trata-se de uma confusão. O que mudou foi que a juventude está se fazendo ouvir, está subindo a rampa. Isso muita gente não aguenta. Quando a Geografia foi destruída, participei junto com os alunos de um protesto pela reconstrução do departamento. O reitor José Geraldo recebeu a turma toda. Ele tem uma paciência invejável com protestos. Na Geografia, vence quem tem os melhores argumentos, não existe nada arbitrário. A Reitoria pouco interfere nos institutos. Inclusive, o caso da destruição de nossas salas foi discutido por uma comissão. "Veja" é uma revista deletéria que eu desprezo.


Ana Frazão, diretora da Faculdade de Direito da UnB:
Diante da reportagem da Veja, venho prestar os seguintes esclarecimentos a respeito das declarações do nosso ex-professor voluntário Ibsen Pinheiro. O professor Ibsen Noronha, também ex-aluno desta faculdade, foi admitido na condição de voluntário para ministrar a disciplina optativa "História do Direito Brasileiro" e permaneceu nesta condição por alguns semestres até que o Colegiado de Graduação, por indicação dos professores da área, entendeu que a referida disciplina deveria ser extinta. A razão para isso foi de ordem institucional, já que o conteúdo de "História do Direito Brasileiro", de acordo com as diretrizes curriculares do nosso curso, é obrigatório e não podia ser ministrado em disciplina optativa. (Veja aqui íntegra da carta)


Gustavo Lins Ribeiro, antropólogo, professor titular e diretor do Instituto de Ciências Sociais:
Falar em perseguição hoje na Universidade de Brasília beira o absurdo. O que existe atualmente são grupos politicamente antagônicos, com convicções muito fortes e que muitas vezes divergem. Ainda estamos vivendo o rescaldo de uma crise político-administrativa que atingiu frontalmente a universidade há menos de três anos. Entretanto, e exatamente por isso, o que precisamos neste momento é fortalecer a universidade. A tarefa dos grupos de bom senso é sobrepor os antagonismos típicos dos ciclos eleitorais. Do contrário, não vamos tirar a universidade dos problemas em que ela mergulhou. É preciso uma política de sentido único, não de acirramento.


José Carlos Moreira Alves, ex-ministro do STF e doutor honoris causa pela UnB, título concedido pelo atual reitor:
Nunca tive nenhum problema na Universidade de Brasília. Dei minhas aulas sem pressão de qualquer espécie.


David Renault, diretor da Faculdade de Comunicação:
É lamentável a maneira como a Universidade de Brasília foi retratada na reportagem da revista Veja. O grande equívoco da matéria é desconhecer em absoluto a estrutura de funcionamento da universidade, e a própria matéria mostra que não houve qualquer esforço de tentar conhecer esse funcionamento. Em uma universidade, grandes decisões não são tomadas individualmente. Quem aprova projetos são os órgãos colegiados. E se as decisões são polêmicas têm de ser altamente negociadas, como aconteceu recentemente nos casos da Finatec e do Cespe, amplamente discutidos no Conselho Universitário. O maior estrago da reportagem é porque atinge toda a instituição.


Pedro Demo, sociólogo e professor emérito da UnB:
Estão atribuindo à UnB algo que é comum às outras instituições em todo o Brasil: a divisão interna entre esquerda e direita. Foi chato o que aconteceu com a promotora, dela ter sido vaiada e não conseguir falar, mas isso aconteceria em qualquer outra universidade que tivesse cotas raciais. Mesmo em assembleias de professores isso acontece. O reitor José Geraldo está tentando recuperar a dignidade da universidade depois dos escândalos envolvendo as fundações. Essa polêmica só indica que a UnB é um lugar aberto, onde essas discussões acontecem abertamente. Os professores têm total liberdade.


Antônio Teixeira, professor da Faculdade de Medicina e coordenador do Laboratório Multidisciplinar de Pesquisas em Doença de Chagas:
Talvez nunca tenha havido tanto liberdade de livre pensar. Há uma diferença entre o momento atual e aquele de retorno à democracia, quando assumiu o primeiro reitor eleito. Havia então um clima muito forte de liberdade, mas misturado com muita euforia, e as discussões acabaram não se aprofundando. Hoje temos liberdade ilimitada de criar e propor. Precisamos aproveitar isso para discutir as questões sérias, como a escassez de financiamento à pesquisa e a subestimação da pesquisa básica.


Debora Diniz, pesquisadora do CNPQ, professora da Universidade de Brasília:
É como pesquisadora que reajo à matéria "Madraçal no Planalto" sobre restrição de liberdade de cátedra na Universidade de Brasília. Estou na universidade há 24 anos: primeiro como estudante, depois como pesquisadora e professora. Jamais enfrentei ou presenciei qualquer restrição à liberdade de expressão. Desafio os sete professores citados na matéria a apresentarem evidências, e não rumores, sobre uma infração constitucional desta magnitude.


Lourdes Maria Bandeira, professora do Departamento de Sociologia, ex-subsecretária de Políticas para Mulheres da Presidência da República:
Já ocupei muitos cargos no departamento e na universidade, e nunca sofri repressão nem às minhas pesquisas nem ao meu trabalho. Em sala de aula, sempre disse o que penso. Do ponto de vista formal, a própria estrutura administrativa da UnB não permite perseguição política. Todas as unidades têm autonomia de pensamento e isso sempre foi preservado.


José Manoel Morales Sanchez, diretor da Faculdade de Arquitetura:
Atacar a Universidade de Brasília confere status de poder a quem ataca, porque é uma instituição forte, com uma produção científica e cultural importante no contexto nacional, e, portanto, um lugar onde qualquer jovem gostaria de estudar. Ser aluno da UnB é um sonho e um orgulho. Em pleno processo de expansão acelerada, mudanças são necessárias e, muitas vezes, incomodam. Mas basta olhar a política da atual administração para ver que não se trata de um clube de amigos, tampouco de um ambiente de intolerância. Os editais de apoio às pesquisas científicas, instituídos pela Reitoria, são um exemplo disso, porque representam um marco institucional, um processo amplamente democrático.


Paulo Salles, professor do Instituto de Ciências Biológicas e presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do GDF:
Na UnB a meritocracia funciona e não há nenhuma injunção política. As dificuldades dos pesquisadores não estão na UnB, mas no sistema, com regras de ministérios que não são aplicáveis a uma universidade. No meu trabalho à frente da FAP-DF sempre tive apoio de todos os professores, que compõem uma comunidade de pessoas altamente qualificadas e dispostas a ajudar quem precisa.


Roberto Ventura Santos, coordenador de Laboratório de Geocronologia:
Existem posições discordantes na universidade. Mas não existe restrição a comentários e opiniões. Os debates nos colegiado são sempre abertos, às vezes até demais. Até acho que algumas decisões não devem ser feitas no coletivo, pela sua natureza. Mas os conselhos estão funcionando. Não existe intolerância, mas uma polarização política. Até hoje, muita gente não conseguiu superar o último processo eleitoral. Nas reuniões do Consuni, muitas vezes as pessoas não têm a devida deferência ao cargo de reitor. Acho que isso é até uma decorrência da própria postura do reitor, que é muito aberta.


David Fleischer, professor emérito do Instituto de Ciência Política:
Os conselhos têm funcionado. O que aconteceu com aquela promotora xingada não deveria acontecer em nenhuma universidade do mundo, mas isso foi fora da estrutura administrativa oficial. Tem muitas meias-verdades no artigo da revista Veja, como no caso do professor Márcio Pimentel. Ele assumiu a Finatec num momento muito grave, quando a fundação estava envolvida em denúncias e logo após a queda do ex-reitor Timothy Mullholland. Isso foi um erro político grave dele que não foi mencionado. Esse é um exemplo de como a Veja só contou metade da história.


José Carlos Córdova Coutinho, professor aposentado da Faculdade de Arquitetura:
Fui professor por 37 anos e nunca me afastei completamente. Acompanho tudo o que sucede. Houve repressão na ditadura, mas isso já passou. De uns tempos para cá, mesmo em tempos mais adversos, temos notado um debate aberto, franco, às vezes com alguns excessos, mas da atual gestão não há a mínima restrição. O reitor justifica a frase do Guevara. É firme e tem tomado as medidas para restaurar a respeitabilidade da universidade sem perder a elegância, a compostura e o clima de inteira liberdade. Ele tem sido de uma ética e correção invejáveis. Na Faculdade de Arquitetura, nunca houve discriminação em relação à pesquisa, mas há divergência em relação a conceitos. Trata-se na verdade de um debate acadêmico muito saudável. O professor Flósculo é polêmico, ele divide opiniões. Não é de se surpreender que ele tenha divergências com os colegas, o que não anula seus méritos como professor. Ele é radical em suas opiniões, ele freqüentemente cria divergências acadêmicas.


Vicente de Paula Faleiros, Professor Doutor Emérito da UnB:
A reportagem sobre a Universidade de Brasília está totalmente distorcida, pois somente foram ouvidos depoentes contrários à atual gestão democrática, sem nenhuma prova. A reportagem desconhece a organização de uma universidade, pois os departamentos têm autonomia para contratar professores, fazer funcionar laboratórios, autorizar capacitação, cabendo à Reitoria supervisionar as atividades dentro da lei. A liberdade de cátedra e de expressão faz parte da Universidade de Brasília e está assegurada no seu Estatuto e na prática cotidiana, pois há constantes expressões favoráveis e contrárias sobre quaisquer temas. A UnB é das universidades mais bem avaliadas do Brasil. Que sejam ouvidos os democratas e não apenas a minoria conservadora e raivosa.


Carmenísia Jacobina Aires, diretora da Faculdade de Educação:
Lamento profundamente a matéria publicada por Veja, porque ataca a universidade como um todo, e com um profundo desconhecimento do que é e do que representa a instituição. A universidade é uma instituição complexa e diversa. Essa diversidade é da natureza da instituição e é dela que nasce o conhecimento produzido e repassado diariamente. É claro que enfrentamos dificuldades internas, de gestão, especialmente em um cenário de expansão das atividades, do crescente número de professores, alunos e de produção do conhecimento. Um crescimento que se confronta com problemas como a ausência de fundações, por exemplo, gerada por uma crise político-administrativa que ainda repercute nos dias atuais. É claro que isso gera frustração no corpo docente e de pesquisadores, mas nenhum destes problemas tem o reitor como responsável. O reitor não determina nem mesmo a escolha de representantes para o conselho superior da universidade, que é quem toma as grandes decisões. A mais grave conseqüência da reportagem é a insegurança que pode gerar em nossos estudantes, porque expõe de maneira completamente distorcida a imagem daqueles que são seus mestres”.


Marcelo Bizerril, diretor da Faculdade UnB Planaltina:
A universidade se sustenta em seus inúmeros colegiados e conselhos. E nos colegiados e conselhos dos quais participo como docente e dirigente jamais ouvi, suspeitei ou me foi relatado qualquer situação que soasse ou se parecesse com a suposta perseguição política pela atual administração. É muito estranho que a reportagem trate de algo que não percebemos nem de longe no cotidiano da universidade. Temos todas as dificuldades de qualquer instituição pública brasileira.


Simone Perecmaniss, vice-diretora da Faculdade de Agronomia e Veterinária:
A direção da FAV esclarece que em nenhum momento houve perseguição à professora Concepta McManus Pimentel, citada na reportagem, e que a mesma encontra-se em outra instituição para acompanhamento de cônjuge e não por motivos políticos ou de outra ordem.
(...)


A direção da Faculdade de Agronomia e Veterinária faz questão de repudiar o teor completo da matéria publicada na Veja, principalmente pelo tom jocoso e nada respeitoso como foi tratada a Universidade de Brasília, cuja excelência acadêmica e ambiente democrático são referência para todo o Brasil. O que a revista deixou de mostrar na matéria publicada foi a UnB que após ter vencido a crise vivenciada em 2008, reativou seus conselhos e colegiados, reiniciou sua jornada democrática e começou a discutir alguns de seus temas mais polêmicos. Nestes últimos dois anos, a universidade praticamente transformou o conceito de extensão anteriormente utilizado, continuou produzindo ciência e tecnologia, fortaleceu e ampliou o atendimento aos discentes na graduação e na pós-graduação e hoje encontra-se reestruturando seu projeto pedagógico político institucional, para encarar o futuro a ela reservado, como instituição de ensino de pública, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada. Como membros da comunidade UnB, esperamos a retratação oficial da revista, após a difamação de nossa universidade. (Veja aqui íntegra da carta)


Adilson Gurgel de Castro, educador jurídico e membro do Conselho Nacional do Ministério Público:
Conheço o cidadão brasileiro e atual Magnífico Reitor da Universidade de Brasília José Geraldo De Souza Junior, há muitos anos. Em boa parte desses, trabalhei pessoal e diretamente com ele, em especial: na Comissão do MEC responsável pela aplicação do antigo ‘Provão’ em Direito e na Comissão Nacional de Ensino Jurídico, do Conselho Federal da OAB. Por isso, posso testemunhar sua competência, seu profundo conhecimento de Filosofia, de Filosofia do Direito e de Educação Jurídica, bem como sua maneira afável e cordial no tratar com as pessoas e sua fidalguia com todos. Estas são as razões pelas quais a ele hipoteco minha solidariedade em face da infeliz, lamentável e tendenciosa reportagem denegridora da sua imagem, publicada na edição desta semana da revista Veja.


José Carlos Moreira da Silva Filho, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUCRS (mestrado e doutorado):
É lamentável que a revista Veja publique reportagem tão leviana sobre o atual momento da Universidade de Brasília (Edição 2224). As afirmações no estilo "certeza absoluta" que a reportagem faz são baseadas apenas em depoimentos esparsos de pessoas que são declaradamente contrárias politicamente à atual gestão da UnB. Não vi na reportagem nenhum esforço em ouvir o outro lado, mais parecendo um tribunal inquisitorial no qual o réu já está condenado desde o início. Ao estilo da denúncia  irresponsável várias afirmações são apresentadas sem nenhuma prova.


Luiz Cláudio Cunha, jornalista. Foi chefe das sucursais de Porto Alegre e Brasília da revista Veja, entre 1972 e 1983:
A universidade, por definição, é o espaço da tolerância e do livre pensamento. É sempre o primeiro alvo dos sistemas arbitrários, dos regimes de força, dos tiranos de plantão. Localizada no quintal do poder, a Universidade de Brasília foi o centro acadêmico mais atingido pela ditadura. Perseguiram e exilaram Darcy Ribeiro, seu primeiro reitor. Torturaram e mataram Honestino Guimarães, seu líder estudantil, ainda hoje um dos desaparecidos políticos do país. Teve o seu campus invadido pelo Exército e padeceu o comando de ferro por nove anos de seu reitor mais longevo, um capitão-de-mar-e-guerra ali ancorado pelos militares para afogar a rebeldia universitária. A UnB foi um bravo centro de resistência, nos anos de chumbo, e retoma sua função de debate revigorante e aceso conflito nos anos de liberdade. Divergência e consciência são argila e massa que fazem esta Universidade viva, criativa e crítica. Nenhuma universidade vive, sobrevive ou convive com madraçais do fundamentalismo intransigente e sectário que deprime e oprime - na religião, na política, na ideologia e até no jornalismo.


Carlos Chagas, jornalista e professor titular aposentado da Faculdade de Comunicação:
Em 1977, havia muita intolerância e repressão, mas não adiantou nada. Prevaleceu a democracia e tem sido assim desde então.

 


Fonte: 05/07/2011


 

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