Apresentação

O mercado de trabalho no turismo no Brasil é um dos mais dinâmicos e diversificados da economia, desempenhando um papel crucial na geração de empregos e no desenvolvimento regional. O setor abrange uma ampla gama de atividades, desde hospedagem e alimentação até transporte, entretenimento e gestão de destinos turísticos. No entanto, apesar de sua importância econômica, o turismo é marcado por uma forte precarização laboral, com altos índices de informalidade, rotatividade e condições de trabalho constantemente precárias. Muitos profissionais atuam sem carteira assinada, sem acesso a benefícios básicos ou garantias trabalhistas, o que reflete a fragilidade das políticas públicas voltadas para a regulamentação e valorização do setor. Além disso, a sazonalidade do turismo em diversas regiões do país contribui para a instabilidade no emprego, dificultando a construção de carreiras sólidas e a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.
 

O trabalho no turismo no Brasil é um espelho das desigualdades sociais que permeiam o país, destacando-se as disparidades de classe, gênero e raça. As mulheres, por exemplo, são maioria em funções como camareiras, recepcionistas e atendentes, ocupações que, embora essenciais, são frequentemente desvalorizadas e mal remuneradas. Já os homens tendem a predominar em cargos de liderança e gestão, evidenciando uma divisão sexual do trabalho que reforça estereótipos de gênero. Além disso, a população negra e indígena, que compõem uma parcela significativa da força de trabalho no turismo, enfrenta obstáculos adicionais, como a marginalização em posições subalternas ou a exploração de suas culturas como “atrações turísticas”, sem que haja uma distribuição equitativa dos benefícios gerados. Essas dinâmicas revelam a necessidade urgente de políticas inclusivas que promovam a equidade e o reconhecimento da diversidade no setor, transformando o turismo em uma atividade verdadeiramente sustentável e justa para todos os envolvidos.

Considerando este contexto difícil para a classe trabalhadora no setor do turismo, especialmente em anos recentes e desde a Reforma Trabalhista, que tornou legais práticas nocivas aos trabalhadores, é preciso pensar em termos de frentes de luta e resistência para garantia de direitos. A luta pelo fim da jornada de trabalho 6×1 no setor do turismo está diretamente relacionada à garantia do direito ao lazer e à qualidade de vida dos trabalhadores. Essa jornada exaustiva, comum em hotéis, restaurantes e outras atividades turísticas, não apenas desgasta física e mentalmente os profissionais, mas também impede que usufruam do próprio lazer, um dos pilares do turismo. Muitos trabalhadores, especialmente mulheres, negros e pessoas de baixa renda, que já enfrentam condições precárias e desigualdades interseccionais, são ainda mais impactados por essa rotina desumana, que limita seu tempo para descanso, convívio familiar e acesso a atividades culturais e recreativas.

O Labor Movens – Grupo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Condições de Trabalho no Turismo, vinculado ao Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (CET/UnB), organiza e realiza o Seminário Perspectivas Críticas sobre o Trabalho no Turismo, que tem como objetivo estimular o debate e a reflexão sobre o mundo do trabalho no turismo a partir de uma perspectiva crítica.

O Seminário realiza em 2025 a sua quinta edição, intitulada “Dignidade do Trabalho no Turismo: novas fronteiras de luta”. O evento acontecerá entre os dias 1º e 4 de outubro de 2025 na Universidade de Brasília.

Neste ano, o Seminário pretende promover a discussão sobre as múltiplas e diversas realidades dos trabalhadores do turismo e suas organizações coletivas, considerando diversas “frentes de luta”, que vão desde as estratégias de sobrevivência e resistência às lutas organizadas. O Seminário busca estimular a contribuição dos participantes na análise do cenário atual do trabalho no turismo no Brasil, a caracterização e dimensionamento dos impactos de ataques a direitos e proteções laborais nos últimos anos, assim como alternativas para os desafios que se assomam.

Até breve!

 Profª  Bianca Briguglio

Programação

1º de outubro de 2025

12:00h às 14:00 – Credenciamento

14:00h às 14:30 – Solenidade de abertura

Cintia Gontijo de Rezende (Diretora de Programa Sociais – SESC/DF), Rafael Guerra (Coordenador da Campanha Sem Direitos Não é Legal), Fátima Alves (Diretora do SECHOSC/CONTRACS), Prof. Thiago Sebastiano de Melo (Labor Movens/UnB), Profª Marutschka Martini Moesch (Diretora do CET/UnB), Profª Rozana Reigota Naves (Reitora/UnB)

14:30 às 16:30 – Mesa 1 – A dignidade do trabalho no século XXI: pelo quê lutamos?

Lys Sobral (Ministério Público do Trabalho-MPT), Marcela Soares (Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ), Caio Antunes (Universidade Federal de Goiás-UFG) – Mediação: Angela Teberga de Paula (UnB/Labor Movens)

16:30 às 17:30 – Lançamento de Livros

2 de outubro de 2025

09:00h às 12:00 – Grupos de Trabalho

​​14:00 às 16:00 – Mesa 2 – Saúde do(a) trabalhador(a): uma aproximação necessária para dignidade no turismo)

Isabella Maio (CGSAT/Ministério da Saúde), Maria Maeno (Fundacentro), Thiago Sebastiano de Melo (UnB/Labor Movens) – Mediação: Rafael Bastos (MST/CGSAT/Ministério da Saúde)

16:30 às 18:30 – Mesa 3 – Trabalho digno e direito ao tempo livre sob ataque no Congresso Nacional

Neuriberg Dias (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar-DIAP), Reinaldo Pacheco (Universidade de São Paulo-USP), Valquíria Padilha (Universidade de São Paulo-USP), Abel Santos (Movimento Vida Além do Trabalho- VAT/DF) – Mediação: Renan Augusto Moraes Conceição (Labor Movens)

3 de outubro de 2025

09:00h às 12:00 – Grupos de Trabalho

​​14:00 às 16:00 – Mesa 4 – Trabalho digno no turismo em tempos de eventos climáticos extremos

José Sobreiro Filho (Universidade de Brasília-UnB), Isabel Jurema Grimm (Universidade Federal do Paraná-UFPR) – Mediação: Edilaine Albertino de Moraes (Universidade Federal de Juiz de Fora-UFJF)

16:30 às 18:30 – Palestra de Encerramento: Fronteiras de luta pela redução da jornada de trabalho

Adriana Marcolino (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos -DIEESE) – Mediação: Bianca Briguglio (Labor Movens)

18:30 às 19:00 – Encerramento

4 de outubro de 2025

07:00 às 15:00

Visita Técnica – Ceilândia

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